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Post respondendo comentários

Maio 6, 2008

    Como todo mundo (todo mundo, entende-se meus amigos pessoais) sabe, eu geralmente mostro alguns textos para alguns amigos antes de escrevê-los (e melhorá-los) aqui. E eu recebi muitos comentários (muitos mesmo! Mais do que eu esperava) comentários sobre um post em especial.

    Todo mundo diz que é impossível achar o amor especial. Eu sinceramente discordo disso. Hoje mesmo eu tive momentos maravilhosos com uma pessoa, que eu conheci começo deste ano. E sinceramente, esses momentos não passaram de 20 minutos. Parte da história do post abaixo é real, eu realmente, passei parte do dia estudando perto de uma amiga, mas não ouve nada do toque de mãos nem troca-troca de calculadora. Mas sinceramente, foi muito bom.

    Bom por que descobri que ainda existem pessoas que se relacionam com outras por puro interesse. Interesse de estar junto, de estar conversando. E melhor que isso, sem interesse. Apenas a vontade de estar junto. Nada mais. Eu solteiro, ela solteira. Nossos gostos são semelhantes, desde musical até comida e jeito de estudar. Mas, nem por isso, precisamos namorar ou beijar ou algo do tipo. Não basta ficar junto?

    Amor perfeito. O que seria amor perfeito? Eu acredito que é aquele que une as pessoas pelo o que elas são, e não pelo o que a sociedade implica em tentar torná-los. Não é por que um homem e uma mulher, que estão solteiros, saem juntos, a noite precisa terminar no quarto de algum dos dois. Pelamordedeus!

    Eu tenho o prazer de dizer que amo minhas amigas. E digo isso na cara delas, sempre que posso. Amo mesmo! Não vivo sem elas. E também digo para meus amigos. Só de pensar que algum deles vai viajar e vai passar 30 dias fora eu já fico todo aflito. Amor perfeito. Talvez isso seja.

    Hoje a C. comentou comigo que não acha o amor perfeito. Eu digo que ela já achou, mas é tão óbvio, que ela duvida. Já olhou bem ao seu redor?Por que quando eu digo que existem milhões de bilhões de estrelas no céu, você acredita, mas quando eu digo que o chão esta molhado, você precisa ir lá e relar nele para ter certeza?

    O óbvio é mais difícil de acreditar, e nós ficamos pensando em caraminholas. Acreditem na amizade. Acreditem no amor. E saibam, por favor, diferenciar amor de paixão. Procurem o amor nos amigos. Não procurem a paixão, um dia, ela acha vocês. Ela vem.

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O que é amor?

Maio 5, 2008

Hoje eu estava na universidade, estudando para variar um pouco, quando uma amiga minha chega do meu lado e pergunta se pode se sentar. Eu, obviamente, a deixei sentar ao lado e às vezes nós trocávamos uma palavra ou outra.

Conversa vai, conversa vem, estudos aqui e acolá, calculadoras circulando pela mesa, quando sem querer, acabamos pegando a calculadora junto. Ou melhor, ela pegou a calculadora, eu peguei a mão dela.

Sabe aquele arrepio que faz você suar e sentir frio ao mesmo? Acho que fiquei vermelho na hora. Ela certamente ficou. Deixei-a usar a calculadora primeiro, e quando ela terminou, eu nem lembrava mais para que eu queria. Acho que queria era apenas abraçá-la.

Ficamos mais do que alguns momentos sem nenhuma palavra, quando ela respira fundo, joga o lápis no caderno e pergunta por que eu fiz aquilo. Aquilo o que?

Tentei desfazer a cara de bobo, de garoto de 12 anos quando recebe o primeiro selinho, mas esta difícil. A sensação era a mesma: felicidade, alegria, desejo, inocência, vergonha. Tudo ao mesmo tempo. Ela percebeu o que eu sentia, e se virou. Eu tirei meus óculos, e perguntei se ela havia se ofendido, e antes mesmo da resposta, me desculpei várias vezes, dizendo que estava distraído.

Ela sorriu. Sensação de estar no Éden. Disse que havia adorado. Ela não imaginava que entre alguns livros de cálculo e física, com a ajuda de uma calculadora, descobriria que a pessoa ideal estava ali, ao lado dela. E não fazia pouco tempo, afinal, nós nos conhecíamos há nove anos já.

Demos um longo abraçado apaixonado, e saímos da faculdade de mãos dadas…

Cheguei em casa me perguntando o que era amor. Será aquele sentimento que seca a boca? Que da calor, faz suar, mesmo no frio? Que faz a gente ficar noites acordadas, sem sono, e quando finalmente dormimos, sonhamos com a pessoa amada? Será que existe alguma forma de ‘escrever amor’?

Duvido muito. Amor é aquilo que não sabemos definir, mas certamente, sabemos o que é. E eu certamente sei quem você é: alguém que eu quero sempre ao meu lado. Sempre sabia disso, mas não sabia o quão próximo queria você. Qualquer distância é longe demais. Qualquer tempo será tempo o suficiente para eu sentir saudade. Qualquer silêncio vai me fazer lembrar da sua voz, e em meio a qualquer multidão, saberei reconhecer a sua.

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Será muito?

Maio 1, 2008

    Hoje acordei pensativo. E se nós decidíssemos que seria melhor acabar tudo? Não continuar mais com esta pseudo-relação que existe entre nós? Toda vez que te vejo, fico feliz, você sorri, nos beijamos, mas, realmente nos amamos, ou apenas sentimos falta de alguém?

    Às vezes, vejo você parada, me olhando. Fico a imaginar o que você pensa, se será agora ou daqui a pouco que você irá querer ter aquela discussão chata, boba. Toda noite você me pergunta por que eu trabalho tanto. Respondo-te que é para manter o conforto e a saúde material que nós temos, afinal, não quero que você machuque suas mãos com o trabalho árduo.

    A dor dura a noite inteira, mas mesmo assim, sei que um dia a dor irá cessar. Espero que esse sofrimento acabe logo, para em seus braços dormir, tranquilamente. Ao seu lado ficar o tempo todo. Mas, e se nós decidíssemos terminar tudo?

    Talvez não fosse melhor assim fazer? Cada para o seu lado. Separados. Você realmente me ama o tanto que diz?

    Diga que sim… Diga que realmente me ama. Será pedir muito querer viver sempre, ao seu lado? Não, não seria bom nos separar. É de você que eu sinto falta. Ninguém mais.

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Metas para daqui cinco anos

Abril 23, 2008

    Ontem eu fui dormir era perto das 23 horas. Arrumei minha cama, coloquei meu gato em cima para ir pré-aquecendo, escovei os dentes e deitei. E deitado, eu pensava como seria gostoso de dormir nessa madrugada quase-inverno. Pena que ela me gerou um inferno.

    Acordei às 3h15min da manhã, sem nem a remota chance de dormir. Revira daqui, revira de lá, levantei e fui comer algo. Uma maçã, uma banana e um copo de leite com chocolate depois, estou consultando minha agenda (por sinal, recomendo todo mundo ter uma, ajuda e muito). Lembro que tenho, não uma, mas duas provas amanhã na universidade. Fiquei tão feliz e comecei a estudar para uma delas.

    Já eram mais de cinco da madrugada quando o Morpheu bateu a porta e eu agradeci e deitei de novo na cama, que meu gato ainda estava nela. Que bom. Dormi.

    Dormi mas acordei absurdamente tarde para quem tinha aula às 7h45min, e leva 45minutos para caminhar até a universidade. Acordei eram 9h15min. Só um pouco atrasado. Mandei tudo para a pqp mesmo, levantei, brinquei com meu gato, tomei um leve banho de sol de 15 minutos, escovei os dentes, coloquei algumas coisas no forno para esquentar, como leite, uns pedaços de pão doce para ficar fofinho de novo, e fui tomar mais um pouco de sol, agora com meu gato.

    Sei que às 9h45min tive a maior revelação do ano. Eu quero isso para minha vida. Moral da história, eu quero daqui cinco anos pode fazer isso todos os dias. E ter alguém para me acompanhar. Foi bom tomar chocolate quente ao sol, bronzeando minha barriga pálida, comendo um pedaço de pão com creme de caramelo comprado numa padaria de esquina, mas teria sido fantástico ter compartilhado esse momento com alguém. Em vez de acordar com meu gato na cama, acordar com uma pessoa que faz alguns anos já que eu a chamo de meu amor, e é por ela que eu mantenho-me longe dos pecados da vida.

 

Musica: Evanescence – Anywhere

Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=ZEVIeErWcnU

Letra: http://letras.terra.com.br/evanescence/68610/

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Talvez voltando a ativa

Abril 20, 2008

Quem sabe eu arrume tempo para continuar com o blogging? ;)

 

Esqueci como existiam pessoas que gostavam dos meus textos (por mais iniciantes que eles fossem), então resolvi voltar a escrever… J

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Ciências do amor

Janeiro 6, 2008

Todo mundo diz que é praticamente impossível achar um amor para a vida toda. Hoje vou tentar provar por que é importante dar atenção, carinho e afeto para quando achar a pessoa. Isso se achar.

Matematicamente, vamos começar a calcular a probabilidade. Primeiramente, temos a possibilidade de atração física. Devido aos padrões rígidos da sociedade, vamos calcular que 50% da população, para agradar, sejam fisicamente atraentes para você. Logo em seguida, já que essas pessoas são atraentes, dificilmente elas estarão solteiras, suponhamos que apenas 20% estejam. Nisso já resultou 1/2 * 1/5 = 1/10 = 10%. Porém, seus gostos têm que bater com o dela, vamos supor uma chance de 33%. 1/10 * 1/3 = 1/30, ou seja: 3,3%. Ah, mas você tem que ser atraente também, então mais 50%. E os 3,3% viram 1/30 * 1/2 = 1/60, 1,6%.

Segundo a matemática, a chance de você ser feliz no amor é de 1,6%.

Sociologicamente, sabemos que 70% dos casais se separam em menos de 5 anos. Considerando que sucesso monetário ajuda, e apenas 20% da sociedade brasileira têm uma vida interessante a nível monetário, a porcentagem cai. Outro fator, a sociedade critica casais muitos diferentes, e supondo 5 ‘tribos’ como principais, mais 20%. Isso tudo resulta em 2,8% de sucesso no amor.

Biologicamente, por mais bizarro que se possa parecer, é interessante se apaixonar por uma pessoa da mesma espécie. Nos estados unidos, 70% dos homens amam mais os animais de estimação do que as esposas. Outro fator interessante, é a compatibilidade genética, que é próxima de uns 20% entre as pessoas. Se resolvermos consideram ainda o fator ’ser parecidos’, por que os pais não costumam aprovar casamentos de negros e loirinhas, sabendo que apenas 30% da população é parecida entre si (a não ser que você seja chinês ou indiano), 4,2%.

Por isso, meus caros, somando todas essas possibilidades, temos uma chance de 0,0018% de ter sucesso no amor, segundo as ciências. Sabendo que a população da região que vivemos é de cerca de 5milhão de pessoas, existem 90 pessoas que seriam ideais para você.

Considerando que uma discrepância de idade não é muito interessante, a vida média da população brasileira é de 70 anos, vamos considerar um intervalo de 6 anos para mais e para menos, ou seja, 12 anos. 12 anos de 70 anos, representa uma faixa de 17,1%. Sobram 15 pessoas.

Como eu não conheço 5 milhão de pessoas, talvez no máximo 5 mil pessoas, temos que 0,1% dos 15, ou seja: é impossível achar o amor em uma pessoa. 0,01 pessoa. Talvez em 100 vidas eu acharia uma perfeita para mim.

 

Porém, você contraria todas as ciências, toda a matemática. Você, minha cara, não existe. Eu teria que viver 100 vezes para achar você. Creio já ter vivido outras 99, pois você é perfeita para mim. Não quero te perder, viver mais 100 vezes sozinhos não é uma idéia agradável.

Te amo.

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Lembranças de Morrer

Janeiro 6, 2008

Hoje um tributo a um mestre.

 

“Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!”

 

Álvares de Azevedo

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Confissões

Dezembro 30, 2007

- Padre, perdoe-me, pois eu pequei.

A alma dele gelou. Padre Miguel já estava acostumado com as idas e vindas de Tales, um católico exímio, porém algo na voz dele havia mudado.

- Conte-me quais foram seus pecados meu filho.

- Padre, eu tentei, mas não resisti. A tentação foi grande, e mesmo com orações diretas ao Senhor eu não resistia, cada vez, mais e mais, eu me sentia fraco. Passei a freqüentar a Santa Reunião todos os dias, rezava sempre para o Senhor dar-me forças mas nada adiantou.

Lágrimas rolavam sobre a pele, um dia corada, hoje pálida, de Tales. Miguel se preocupou, a unica vez que viu Tales chorar fora quando seus pais haviam morrido, em uma acidente de transito, e mesmo assim, ele tinha 9 anos. Ele costumava dizer que as lágrimas são apenas para Deus em sua Santa Trinade, a latere Jesus i Espictus Santus, ao lado de Jesus e Espirto Santo. Algo começava a deixar o Padre curioso, e, logo que percebeu isso, lembrou que aquilo era uma confissão, e ele não poderia sentir isto. Fez o sinal da Cruz e esperou seu fiel voltar a falar.

- Padre, eu me apaixonei.

- Mas meu filho, isto não é pecado.

Tales respirou fundo, como se sentisse as palavras rasgar-lhe a garganta.

- É pecado quando se apaixonamos por um servo do Senhor.

Nesse momento, Miguel estava em suor. ‘Que diabos ocorre aqui?’ ele pensou. Ajeitou sua batina para ventilar um pouco mais seu pescoço, aproveitando que ninguém estava ali vendo. Até os servos mais próximos do Senhor na Terra tinham suas malandragens.

- Todos nós somos servos Dele, Tales. Todos.

- Mas Padre, eu me apaixonei por um que não deveria estar aqui. Não entendes o tamanho do meu pecado, Padre? Eu sei que tua alma é mais pura que a minha, Padre, mas mesmo assim, não consegue imaginar o tamanho do meu erro? Oh, Deus, por que tamanha pedra em meu caminho?

Tales estava debruçado pelos seus joelhos, molhados de lágrimas. Ele já gritava, baixo, em desespero. Sentia-se condenado, e sim, isso era o que ele era.

- Padre, me apaixonei por um anjo!

A janela que batia com o vento nesta madrugada chuvosa parou neste momento. Os pingos que batiam no banco da igreja cessaram. Nem mesmo a musica sacra que tocava ao fundo, para relaxar o Padre, tocava. Tudo havia parado. Tudo. Nada mais fazia sentido, e nem haveria de ter o por que de fazer. ‘Um anjo? Do Senhor?’. Miguel não conseguia pensar bem, o fato era muito pesado para a alma do Padre.

- Tales, você quer dizer que ela é bonita, como um anjo?

Miguel, confundindo desespero com nervosismo acerca do ceticismo do padre levantou e disse:

- Não Padre. Um anjo. De asas e aureola. Ela me apareceu em um sonho, dizendo que havia um futuro grandioso ao lado dela. Acordei, me sentindo melhor que nunca, como se tivesse ido ao Paraíso e voltado. Tomei um banho, e a água que caia em minhas costas não era gelada, devido a falta de energia em minha casa, como de costume. Não era fria, nem quente, Padre! Era simplesmente perfeita! Não resisti, e abri a torneira e a água também era assim. Era fim de noite já quando eu acordei, e fui ao mar. Padre, era perfeito. A Lua refletia nas águas calmas, fazendo um reflexo de asas, brancas. Me atirei ao mar, como uma criança. E padre, era perfeito. O ar que eu respirava não tinha o vicio da poeira, nem o cheiro de fumaça. A areia entre meus dedos não me encomodava, pelo contrário, me alegrava. Mergulhei, fundo, não queria nunca mais sair daquela situação.

Nesse momento, Tales não estava mais desesperado, parecia em ecstasy. E continuou a falar, com uma voz suave e doce.

- A alegria era tanta, que eu esqueci das necessidades de nosso corpo terreno: não lembrei de respirar. Em determinado momento fui tomado pelo desespero, mas não era tempo suficiente para subir. Foi quando eu a vi, Padre. Sim, era um anjo, me salvando. Disse para eu tomar cuidado, e com um doce beijo me salvou.

- Mas Tales… Não faz sentido! Você sabe bem que os Anjos só descem em ocasiões especiais.

- E o que há de mais especial do que o amor puro, Padre?

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Uma noite qualquer.

Dezembro 29, 2007

Acordo, olho para o teto. Lembro perfeitamente dos meus sonhos o que me deixa bem feliz. É raro eu lembrar dos meus sonhos. Viro de lado e sento na beirada da cama, olhando para um espelho. Olho meu rosto. Pálido, esfalecido, sem emoção.
Levanto e vou escovar meus dentes. No meio do caminho, vejo uma foto dela que me faz parar e pensar um pouco. Será minha alma gêmea por trás destes olhos azuis? Continuo caminhando em direção ao banheiro. Vejo que em meu rosto tem um leve sorriso agora. Volto para o quarto e visto minhas calças jeans pretas.
Ligo o som. Sento para admirar um pouco a musica, “when darkness seems to fall, then I can hear you call”. Sim, eu queria poder ouvir você me chamar. Lembro que é domingo, e eu não preciso ir trabalhar. Mais um breve sorriso aparece em meu rosto, que logo tem seu lugar tomado por algumas lágrimas.
Porque ela tem que me acertar aonde mais dói? Por quê?! Sempre julguei ser impossível existir alguém assim, mas vejo que eu fui tolo, pois existe!
Meus vizinhos veem na porta do meu apartamento reclamar dos meus hábitos noturnos. Mal eles sabem que quem faz a segurança do prédio a noite sou eu. Abaixo o som, afinal já é 1h da manhã.
Abro minha agenda e procuro algum lugar para ir. Bendita seja a tecnologia e estas agendas eletrônicas. Sim, show cover hoje, as 3h. Tomo um banho, visto minha roupa e meus coturnos. Me olho no espelho, olhos negros e cabelos compridos. Lembro que um dia meus olhos estavam direcionados a você, enquanto meus cabelos brincavam com seus dedos.
Recuperando-se das lembranças, pego as chaves e saio de casa. Lembro do por que me mudei para esta cidade: pouco movimento de carros. Gosto de digirir sem ser obrigado a olhar para a estrada: ela é sempre igual, diferente da paisagem. Quinze minutos me levam ao lugar desejado. Entro no clube e vejo você.
Na surdina, como sempre. Sorri com os olhos e eu me aproximo. Ao chegar perto, me pergunto se eu estou ficando louco. Será que ela saiu e eu nem percebi? Lembro do meu sonho. Você aparecia nele, eu corria atrás de você mas nunca chegava perto. Você se escondia, logo reaparecia, sempre. Pergunto ao barman sobre você, e ele diz que não viu ninguém. Sim, eu estou ficando louco.
No entanto, louco ou não, aqui eu estou: jogado ao silêncio, solidão, desespero. Pessoas dançam ao meu redor, e eu só procuro o teu olhar. Existe luz sem o brilho dos teus olhos?
Momento soturno. De novo, imagino te ver em algum canto, mas ao chegar perto, junto ao alcance das minhas mãos, vejo que não é você. Estou perdido em meu próprio mundo. Você me confunde, balança minha cabeça, agita meus pensamentos. Não resisti nem quando comecei, como vou agora? Olho para todos os lados: rostos desconhecidos. Nem a musica que eu sempre ouvi desde pequeno me soa bem aos ouvidos. Gritos de desespero ecoam na minha cabeça. O que eu estou fazendo aqui? Vozes estranhas, pessoas estranhas, um mundo todo estranho!
Não, não posso estar ficando louco. Saio do clube, talvez seja a fumaça. Ao sair pela porta, um arrepio. Você vem, e desta vez é real. Me puxa pelo braço, e eu, servente, sigo. Paramos no meio de uma rua pouco movimentada. Você aponta para o céu. Estrelas.

*Feito para você.

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iced earth - a question of heaven

Outubro 27, 2007

The time is close now, the end is near
My walk through the valley, trails of fear
I feel empty, my penance overdue, I guess it’s too late now
To be with you
I’m extremely frightened of what will surely be
I sold myself, the death of me
I know you can’t forgive me
I know I’m on my own, I’ve betrayed you
I walk alone

What exactly is the meaning of this
Just pawns in your twisted game
Severe pain for the lie I’m livin’
For a love I never could betray

Bridge
Question me not say the lord unto thee
You have chosen your own fate and your own destiny
Denied of this life is what you are to be
You have chosen your own fate and your own destiny

Lord I pound my fists at you
Won’t you just let me die
Would I not suffer enough
No inner peace no after life

Repeat Bridge

I did what I thought was right
All for the love of my life
I know it’s sad but true
Something is very wrong
Condemned to suffer so long
For a love so true

The question that lies within
Is so hard to understand
It still tears at me
And in my dying breath
My heart holds no regrets
I wouldn’t change a thing

My spirit begins to rise into the heavenly skies
Just to be shunned away by you
Now all I want is to die, no streets of gold in the sky
And I wash my hands of you

Bridge
Rising to the heavens light
Just to plea for death
Just to be denied

(I know you can’t forgive me
I know I’m on my own
I know I’ve betrayed you
You know I walk alone
I want trails of fear
I pound my fists at you
I shunned away by you
I wash my hands of you
I won’t to let me die…)

Bridge
Rising to the heavens light
Just to plea for death
Just to be denied

tradução: http://letras.terra.com.br/iced-earth/103082/