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Ciências do amor

Janeiro 6, 2008

Todo mundo diz que é praticamente impossível achar um amor para a vida toda. Hoje vou tentar provar por que é importante dar atenção, carinho e afeto para quando achar a pessoa. Isso se achar.

Matematicamente, vamos começar a calcular a probabilidade. Primeiramente, temos a possibilidade de atração física. Devido aos padrões rígidos da sociedade, vamos calcular que 50% da população, para agradar, sejam fisicamente atraentes para você. Logo em seguida, já que essas pessoas são atraentes, dificilmente elas estarão solteiras, suponhamos que apenas 20% estejam. Nisso já resultou 1/2 * 1/5 = 1/10 = 10%. Porém, seus gostos têm que bater com o dela, vamos supor uma chance de 33%. 1/10 * 1/3 = 1/30, ou seja: 3,3%. Ah, mas você tem que ser atraente também, então mais 50%. E os 3,3% viram 1/30 * 1/2 = 1/60, 1,6%.

Segundo a matemática, a chance de você ser feliz no amor é de 1,6%.

Sociologicamente, sabemos que 70% dos casais se separam em menos de 5 anos. Considerando que sucesso monetário ajuda, e apenas 20% da sociedade brasileira têm uma vida interessante a nível monetário, a porcentagem cai. Outro fator, a sociedade critica casais muitos diferentes, e supondo 5 ‘tribos’ como principais, mais 20%. Isso tudo resulta em 2,8% de sucesso no amor.

Biologicamente, por mais bizarro que se possa parecer, é interessante se apaixonar por uma pessoa da mesma espécie. Nos estados unidos, 70% dos homens amam mais os animais de estimação do que as esposas. Outro fator interessante, é a compatibilidade genética, que é próxima de uns 20% entre as pessoas. Se resolvermos consideram ainda o fator ’ser parecidos’, por que os pais não costumam aprovar casamentos de negros e loirinhas, sabendo que apenas 30% da população é parecida entre si (a não ser que você seja chinês ou indiano), 4,2%.

Por isso, meus caros, somando todas essas possibilidades, temos uma chance de 0,0018% de ter sucesso no amor, segundo as ciências. Sabendo que a população da região que vivemos é de cerca de 5milhão de pessoas, existem 90 pessoas que seriam ideais para você.

Considerando que uma discrepância de idade não é muito interessante, a vida média da população brasileira é de 70 anos, vamos considerar um intervalo de 6 anos para mais e para menos, ou seja, 12 anos. 12 anos de 70 anos, representa uma faixa de 17,1%. Sobram 15 pessoas.

Como eu não conheço 5 milhão de pessoas, talvez no máximo 5 mil pessoas, temos que 0,1% dos 15, ou seja: é impossível achar o amor em uma pessoa. 0,01 pessoa. Talvez em 100 vidas eu acharia uma perfeita para mim.

 

Porém, você contraria todas as ciências, toda a matemática. Você, minha cara, não existe. Eu teria que viver 100 vezes para achar você. Creio já ter vivido outras 99, pois você é perfeita para mim. Não quero te perder, viver mais 100 vezes sozinhos não é uma idéia agradável.

Te amo.

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Lembranças de Morrer

Janeiro 6, 2008

Hoje um tributo a um mestre.

 

“Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
– Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!”

 

Álvares de Azevedo

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Uma noite qualquer.

Dezembro 29, 2007

Acordo, olho para o teto. Lembro perfeitamente dos meus sonhos o que me deixa bem feliz. É raro eu lembrar dos meus sonhos. Viro de lado e sento na beirada da cama, olhando para um espelho. Olho meu rosto. Pálido, esfalecido, sem emoção.
Levanto e vou escovar meus dentes. No meio do caminho, vejo uma foto dela que me faz parar e pensar um pouco. Será minha alma gêmea por trás destes olhos azuis? Continuo caminhando em direção ao banheiro. Vejo que em meu rosto tem um leve sorriso agora. Volto para o quarto e visto minhas calças jeans pretas.
Ligo o som. Sento para admirar um pouco a musica, “when darkness seems to fall, then I can hear you call”. Sim, eu queria poder ouvir você me chamar. Lembro que é domingo, e eu não preciso ir trabalhar. Mais um breve sorriso aparece em meu rosto, que logo tem seu lugar tomado por algumas lágrimas.
Porque ela tem que me acertar aonde mais dói? Por quê?! Sempre julguei ser impossível existir alguém assim, mas vejo que eu fui tolo, pois existe!
Meus vizinhos veem na porta do meu apartamento reclamar dos meus hábitos noturnos. Mal eles sabem que quem faz a segurança do prédio a noite sou eu. Abaixo o som, afinal já é 1h da manhã.
Abro minha agenda e procuro algum lugar para ir. Bendita seja a tecnologia e estas agendas eletrônicas. Sim, show cover hoje, as 3h. Tomo um banho, visto minha roupa e meus coturnos. Me olho no espelho, olhos negros e cabelos compridos. Lembro que um dia meus olhos estavam direcionados a você, enquanto meus cabelos brincavam com seus dedos.
Recuperando-se das lembranças, pego as chaves e saio de casa. Lembro do por que me mudei para esta cidade: pouco movimento de carros. Gosto de digirir sem ser obrigado a olhar para a estrada: ela é sempre igual, diferente da paisagem. Quinze minutos me levam ao lugar desejado. Entro no clube e vejo você.
Na surdina, como sempre. Sorri com os olhos e eu me aproximo. Ao chegar perto, me pergunto se eu estou ficando louco. Será que ela saiu e eu nem percebi? Lembro do meu sonho. Você aparecia nele, eu corria atrás de você mas nunca chegava perto. Você se escondia, logo reaparecia, sempre. Pergunto ao barman sobre você, e ele diz que não viu ninguém. Sim, eu estou ficando louco.
No entanto, louco ou não, aqui eu estou: jogado ao silêncio, solidão, desespero. Pessoas dançam ao meu redor, e eu só procuro o teu olhar. Existe luz sem o brilho dos teus olhos?
Momento soturno. De novo, imagino te ver em algum canto, mas ao chegar perto, junto ao alcance das minhas mãos, vejo que não é você. Estou perdido em meu próprio mundo. Você me confunde, balança minha cabeça, agita meus pensamentos. Não resisti nem quando comecei, como vou agora? Olho para todos os lados: rostos desconhecidos. Nem a musica que eu sempre ouvi desde pequeno me soa bem aos ouvidos. Gritos de desespero ecoam na minha cabeça. O que eu estou fazendo aqui? Vozes estranhas, pessoas estranhas, um mundo todo estranho!
Não, não posso estar ficando louco. Saio do clube, talvez seja a fumaça. Ao sair pela porta, um arrepio. Você vem, e desta vez é real. Me puxa pelo braço, e eu, servente, sigo. Paramos no meio de uma rua pouco movimentada. Você aponta para o céu. Estrelas.

*Feito para você.