
Na cantina…
Outubro 18, 2007Estava eu, ali, sentado numa roda de amigos, admirando a chuva que sentia-se envergonhada por cair, mas caía. Uma risada falsa saía, escondendo na verdade minhas lágrimas. Mais algumas frases inúteis, alguns clicks no laptop da amiga, um sorriso falso, e derrepente, em meio uma frase, um suspiro fundo, uma visão. Pupilas dilatadas, vasiconstrição, taquecardia: adrenalina libera no sangue, em grande quantidade.
Ela passa, compra um refrigerante no caixa e eu ainda, sem respirar, total falta de ar. Senta na mesa do lado, sua blusa preta, levemente respinga pela chuva, atrevida, gruda no seu corpo, fazendo contraste com sua pele branca, pálida. Sua calça jeans, escorrega pela cadeira, enquanto ela, séria, sem emoção alguma, abre seu refrigerante e coloca um canudo nele. Meu corpo estremece, ao ver seus longos cabelos pretos escorrerem pelo seu corpo. Inveja…
Um colega meu estala os dedos na minha frente, me fazendo encher os pulmões de ar novamente e fechar a boca. Respondo uma ou duas perguntas inúteis, e volto a admira-la. Seus canudos enchiam-se de um líquido negro, para combinar com sua roupa e seu cabelo, ousando manchar sua pele, branca, quase transparente. Minha respiração vai e vem lentamente, ao som das batidas do meu coração, quase parado. O tempo se passa em câmera lenta, dando tempo para o meu cérebro associar sua imagem como de uma pessoa, e não como de uma deusa vestida de preto.
Ouso olhar para seus lábios, e percebo que deles vem um leve sorriso. Um sorriso tímido, escondido entre o preto e branco. Um sorriso que irá alimentar todos meus sonhos hoje. Perdi toda minha segurança ao ver que seus olhos cor-de-céu viravam lentamente para mim. Um olhar que rasgava minha alma, deixava-a em pedaços, só para reconstruir de novo, mas do jeito dela. E eu permitia. Ela estava fazendo tudo que lhe dava vontade, sentia-se feliz, segura de si, mas séria, sem emoções. Enquanto isso, eu, a alguns metros dela, fazia tudo que conseguia, também sem emoção no rosto, mas o coração pulsava o sangue mais forte, quente, ardente entre as veias.
Será que amanhã encontro os mesmos olhos azuis de novo?