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Uma noite qualquer.

Dezembro 29, 2007

Acordo, olho para o teto. Lembro perfeitamente dos meus sonhos o que me deixa bem feliz. É raro eu lembrar dos meus sonhos. Viro de lado e sento na beirada da cama, olhando para um espelho. Olho meu rosto. Pálido, esfalecido, sem emoção.
Levanto e vou escovar meus dentes. No meio do caminho, vejo uma foto dela que me faz parar e pensar um pouco. Será minha alma gêmea por trás destes olhos azuis? Continuo caminhando em direção ao banheiro. Vejo que em meu rosto tem um leve sorriso agora. Volto para o quarto e visto minhas calças jeans pretas.
Ligo o som. Sento para admirar um pouco a musica, “when darkness seems to fall, then I can hear you call”. Sim, eu queria poder ouvir você me chamar. Lembro que é domingo, e eu não preciso ir trabalhar. Mais um breve sorriso aparece em meu rosto, que logo tem seu lugar tomado por algumas lágrimas.
Porque ela tem que me acertar aonde mais dói? Por quê?! Sempre julguei ser impossível existir alguém assim, mas vejo que eu fui tolo, pois existe!
Meus vizinhos veem na porta do meu apartamento reclamar dos meus hábitos noturnos. Mal eles sabem que quem faz a segurança do prédio a noite sou eu. Abaixo o som, afinal já é 1h da manhã.
Abro minha agenda e procuro algum lugar para ir. Bendita seja a tecnologia e estas agendas eletrônicas. Sim, show cover hoje, as 3h. Tomo um banho, visto minha roupa e meus coturnos. Me olho no espelho, olhos negros e cabelos compridos. Lembro que um dia meus olhos estavam direcionados a você, enquanto meus cabelos brincavam com seus dedos.
Recuperando-se das lembranças, pego as chaves e saio de casa. Lembro do por que me mudei para esta cidade: pouco movimento de carros. Gosto de digirir sem ser obrigado a olhar para a estrada: ela é sempre igual, diferente da paisagem. Quinze minutos me levam ao lugar desejado. Entro no clube e vejo você.
Na surdina, como sempre. Sorri com os olhos e eu me aproximo. Ao chegar perto, me pergunto se eu estou ficando louco. Será que ela saiu e eu nem percebi? Lembro do meu sonho. Você aparecia nele, eu corria atrás de você mas nunca chegava perto. Você se escondia, logo reaparecia, sempre. Pergunto ao barman sobre você, e ele diz que não viu ninguém. Sim, eu estou ficando louco.
No entanto, louco ou não, aqui eu estou: jogado ao silêncio, solidão, desespero. Pessoas dançam ao meu redor, e eu só procuro o teu olhar. Existe luz sem o brilho dos teus olhos?
Momento soturno. De novo, imagino te ver em algum canto, mas ao chegar perto, junto ao alcance das minhas mãos, vejo que não é você. Estou perdido em meu próprio mundo. Você me confunde, balança minha cabeça, agita meus pensamentos. Não resisti nem quando comecei, como vou agora? Olho para todos os lados: rostos desconhecidos. Nem a musica que eu sempre ouvi desde pequeno me soa bem aos ouvidos. Gritos de desespero ecoam na minha cabeça. O que eu estou fazendo aqui? Vozes estranhas, pessoas estranhas, um mundo todo estranho!
Não, não posso estar ficando louco. Saio do clube, talvez seja a fumaça. Ao sair pela porta, um arrepio. Você vem, e desta vez é real. Me puxa pelo braço, e eu, servente, sigo. Paramos no meio de uma rua pouco movimentada. Você aponta para o céu. Estrelas.

*Feito para você.

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